Entrevista | “Jogos Olímpicos 2020 são uma realidade um bocadinho assustadora”

 

Inês Raquel Ferreira Reis, nascida a 17 de julho de 1999, sagrou-se vice-campeã nacional de juniores em 10 000 metros em marcha e recentemente foi vice-campeã nacional universitária na vertente de 3000 metros marcha em Pista Coberta. A atleta da nossa academia é uma promessa para o desporto nacional, sendo que está na iminência de poder representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Para além de Inês Reis, a AAUBI obteve outros excelentes resultados nesta última prova de atletismo universitário: Manuel Alves conquistou o segundo lugar em 5000 metros marcha, Alexandre Gameiro conquistou o terceiro lugar em 60 metros barreiras e Filipe Fraqueiro ficou no terceiro lugar em 3000 metros planos .

O que é que te incentivou a entrar para o atletismo?
Então, eu fiz um corta-mato, no desporto escolar, em que fiquei em 40º (risos), depois entrei para a natação, também do desporto escolar, desporto esse que pratiquei durante um ano. Depois no ano a seguir fui outra vez ao corta-mato e fiquei em décimo. Ainda não praticava atletismo e ficar em décimo a nível distrital, na altura no corta-mato distrital que são cerca de 100 pessoas, só a fazer natação incentivou-me. Depois a minha melhor amiga já tinha entrado no ano anterior no atletismo, então foi do género “ah posso ir experimentar” e ela disse “ah ya vem e não sei quê”, e pronto fui experimentar e até hoje.

Consideras que a tua família foi importante em todo o teu percurso desportivo?
Foi importante porque nunca me impediu ou disse “tens de estudar”. Basicamente deixaram-me sempre fazer, não o que eu quiser, mas, pronto… eu quis e eles não impediram. Disseram “pronto então se gostas de fazer desporto é bom” e nunca puseram obstáculos. Por isso o apoio foi um bocadinho por aí, não incentivaram mas também não proibiram.

Sendo atleta e estudante universitária, como consegues conciliar as duas coisas?
O meu pior ano ou o mais difícil foi o 11º, porque tinha muitas aulas. Basicamente eu saía da escola e aproveitava as horas do almoço para estudar, enquanto os outros almoçavam e ficavam muito tempo na galhofa, porque depois à tarde ia treinar e chegava a casa às 21h, todos os dias e não tinha tempo para estudar. No 12º já foi mais “soft”, porque aí já tinha todas as tardes livres. Quando entrei para a universidade foi fixe, porque vi o horário e era das 9h à 13h quase todos os dias e como a carga horária também não é assim tão grande tem sido mais ou menos fácil. Abdico um bocado é das saídas à noite e vida académica, porque, por exemplo, amanhã tenho um treino importante de manhã, ou porque depois tenho uma prova no fim de semana e passa um bocadinho por aí.

Estás proposta a ir aos Jogos Olímpicos de 2020. Quais são os teus objetivos?
Eu estou no nível 5 do Plano de Apoio ao Rendimento e, supostamente, todos os que estão aí já estão em preparação para os Jogos Olímpicos, porque o objetivo de qualquer atleta é chegar aos mesmos. Agora Tóquio2020 é assim uma realidade um bocadinho assustadora, porque não sei se vou conseguir, depende de muita coisa. Agora por causa de estar a tentar integrar os 50km marcha nos JO pode abrir mais portas, porque as atletas dividem-se mais e eu vou aos 50 e há mais lugares para os 20. Depois Portugal tem sempre atletas a ficar de fora, não basta fazer os tempos tens que estar no top 3 para ir e agora havendo uma divisão em duas provas vai abrir mais lugares, vão três para os 20 e 3 para os 50, se houver, e assim pode-se tornar mais possível. Mas é uma grande diferença porque eu agora faço 10km e os JO são 20km, não faltam assim tantos anos (risos) e então é preciso ganhar muito estofo para aguentar os 20Km. Eu vou lutar por isso, mas agora vamos ver se dá, se não dá. Mas se não for em 2020 é em 2024 (risos).

Ao longo do teu percurso desportivo consideras que completaste todas as tuas metas?
Sim. É assim, eu acho que todos os atletas sentem que às vezes há qualquer coisa que queriam ter conseguido e não conseguiram. Porque nem sempre corre bem, nem sempre fazemos o tempo que queremos.  Sei lá, as coisas mais importantes, fazer os mínimos nos últimos anos e ir lá fora e não ficar fora nas competições internacionais, acho que consegui, que era o objetivo principal. Mas depois queremos sempre mais, então depois é difícil dizer que consegui sempre tudo o que quis, porque é mentira, houve coisas que correram menos bem. Por exemplo, eu fui três vezes internacional, até agora, tenho o sexto, o oitavo e o 17º lugar. Alguma coisa correu mal ali naquele 17º, porque a prova não correu bem, eu estava lá fora fiz mesmo para ir lá fora, era suposto estar na minha melhor forma, mas não saiu naquele dia, não dormi bem mas não é desculpa, porque durante a prova estava a ir mais ou menos, mas eram 10km e o mais ou menos durou até para aí aos 5km. Depois os últimos 5km foram horríveis, fui a arrastar-me atrás delas e elas sempre a passar por mim e por isso não correu bem e podia ter corrido. Eu queria ter conseguido o melhor lugar e não consegui, mas faz parte.

Quais são as tuas expetativas para o futuro, agora que representas a federação portuguesa e também o clube com mais títulos na modalidade?
Agora assim a curto prazo, eu gostava imenso e ir às Universíadas. A nível da universidade é a assim a maior competição a nível mundial. Ou melhor, a Universíadas é a segunda melhor competição do mundo a seguir aos JO. É como que o campeonato do mundo de universidades, e ir representar a AAUBI às Universíadas é só o melhor que eu podia conseguir e não falta assim tanto tempo. Agora mais perto vou ter a Taça do Mundo, que é daqui a um mês, na China, e depois o Campeonato do Mundo, que é só em julho. Mas o foco é nas próximas competições internacionais sem dúvida, vamos ver o que é que dá. São campeonatos do mundo, eu fui três vezes a campeonatos da Europa, porque depende dos anos, é um ano campeonato do mundo, um ano campeonato da Europa.

Foste vice-campeã no campeonato nacional universitário. Qual é a sensação de representar a academia ao mais alto nível?
Agora foi a primeira vez em que eu era mesmo universitária, não era extra e fui com a equipa com a qual eu já trabalhava, mas ainda não fazia parte, pelo facto de ainda não ser da universidade. Por isso foi fantástico e o espírito de equipa foi imenso. Eu fiz imensas provas que não eram para fazer para dar o máximo de pontos possível e o espírito de equipa foi fantástico e gostei imenso.

Como qualquer atleta, temos dentro da nossa modalidade personalidades que nos identificamos mais ou que nos inspiram mais. Para ti, dentro da tua modalidade, qual é o atleta que te inspira mais ou que mais te dá motivação?
Isso foi uma coisa que eu fui alterando ao longo do tempo, ao início não tinha contato com esses atletas. Ouvia falar mais deste título ou daquele e isso é que me inspirava. Mas neste momento, como mudei para o Sporting, são os atletas de lá, incluindo o João Vieira e a Vera Santos que são atletas olímpicos, que me inspiram mais porque é com eles que tenho mais contacto e são eles que me estão a ajudar mais, que me dão mais dicas e, pronto, a minha mudança para o clube deu-me maior contacto com eles. Mas neste momento acho que posso dizer que quem me inspira mais são eles, são atletas olímpicos do Sporting com quem eu tenho a possibilidade de falar e aprender. É fantástico, sem dúvida.

Por Beatriz Tavares e Rita Paulo

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