Habemus Species

Dizer o maldizer para maldizer o dizer da sapiência:

Crocodilos

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Já perceberam, certo? Não existe um equilíbrio de espécies dentro deste quintal, parecido com o jardim de Éden. A diferença é que em vez de se trincar maçãs, trinca-se outras espécies. Desta vez, falo-vos do principal predador dos babuínos: os crocodilos. Esta é a espécie residente que, apesar do “apocalipse” que fez extinguir grande parte das espécies, continua de pedra e cal, dessa altura até hoje, neste quintal.

Apesar do nome, estes crocodilos não são carnívoros. Estes não matam através da sua mordidela da sua poderosa mandíbula cheia de dentes mortíferos. A sua letalidade existe através da sua aparência e da sua capacidade de amalgamar. Para perceberem melhor, comparo a caraterística mortífera da aparência com a arma do basilisco, em Harry Potter e a Câmara dos Segredos. Enquanto que se alguém olhasse para o basilisco morria, quando o babuíno dá de caras com um crocodilo morre-lhe o ímpeto. Morre os sonhos para o futuro, morre a vontade de ficar chimpanzé e, para os mais fracos, até chega a morrer o desejo sexual. Já a capacidade de amalgamar os babuínos advém da sua incapacidade de sair do seu habitat natural. Este habitat contém variadas gravuras rupestres que fazem os crocodilos alucinarem, como se fosse um alucinogéno. Quando saem do seu retiro, é como se atirassem uma poção da confusão aos babuínos, impulsionando o caos na cabeça destes e, consequentemente, impelindo para as épocas especiais deste quintal.

As relações dos crocodilos não se baseiam na tentativa de captura dos babuínos. Eles relacionam-se cordialmente com as preguiças, apesar de na altura de lançar o ataque aos babuínos dizerem mal delas, comportando-se como as senhoras bairristas de Lisboa. Também com os caracóis existe uma boa relação, apesar de até para o predador existir demora no despacho na hora laboral. Nunca vi caracóis tão rápidos quando chega a hora de sair do quintal. Relativamente ao relacionamento entre crocodilos, existe alguma fricção, visto que, por vezes, alguns crocodilos tendem a morder o rabo a outros. Enquanto uns aceitam e beijam o anel, outros são demasiado revolucionários e outros têm a mania que são intocáveis na cadeia alimentar. No entanto, existe uma minoria tão íntima que é colocada em causa a virilidade. De tal modo que alguns babuínos chegam a confidenciar entre eles que crocodilos daqueles comem eles como bananas depois de uma noite de copos (sim, alguma coisa certos babuínos têm de comer depois de uma noite de bebedeira).

No entanto, a culpa não é toda dos crocodilos. Existem certos babuínos que não se conseguem manter num grupo da sua espécie, quanto mais quando estão perto das espécies dominantes. Aliando-se à vontade de mastigar babuínos, é como se os crocodilos estivessem de pano ao pescoço e garfo e faca preparados para cortar a espécie que é próxima dos alcoólicos anónimos aos pedacinhos. Os babuínos até podiam fugir, mas estas duas espécies são como os livros do Nicholas Sparks: quando uns escrevem as suas preces, outros dão juras de negas para a eternidade.

Por: Mário Cardoso

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